Olá
meus caros!!!! Estamos de volta para mais um bate-papo.
Genteeee,
vejam como é a vida! Há muitos anos atrás, mais precisamente na minha
adolescência, li o livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein. Lembro-me
que li e reli esse livro várias vezes seguidas, utilizei seu conteúdo para trabalhos no ensino médio,
e tornei a relembrar de suas citações na graduação, quando fiz um trabalho
sobre o "livro" documentário Falcão: meninos do tráfico, produzido por MV Bill, Celso Athayde, com Central única das Favelas.
Hoje, muitos anos após essa leitura (não vou dizer quantos anos, rs) me deparo mais uma vez com esse tema, agora sobre um novo ângulo, a Cidadania Digital, pelo texto de Tomás Patrocínio intitulado Para uma genealogia da cidadania digital.
Hoje, muitos anos após essa leitura (não vou dizer quantos anos, rs) me deparo mais uma vez com esse tema, agora sobre um novo ângulo, a Cidadania Digital, pelo texto de Tomás Patrocínio intitulado Para uma genealogia da cidadania digital.
Vejam
só, uma genealogia da cidadania digital?!?! Tendo em vista que a palavra
genealogia se refere a “cadeia evolutiva”, ou seja, um estudo das origens,
então não poderia deixar de fazer uma relação dos textos de Patrocínio e
Dimenstein (ambos os textos estão disponíveis no Bom para LER, aqui na coluna
lateral do Blog, vale a pena ler).
Acredito
que a maioria das pessoas já tenha ouvido falar em árvore genealógica, né? Ela
é usada geralmente para se fazer um estudo das origens das famílias, das suas
raízes até as mais novas gerações. Pois bem, é mais ou menos isso que
Patrocínio faz ao percorrer um pouco os caminhos que culminaram com o conceito
atual de cidadania e cidadania digital.
Neste
percurso Patrocínio destaca que muitas vezes ocorre uma “confusão” no
entendimento do que é cidadania, culminando com seu conceito sendo
equivocadamente confundido com civismo e civilidade. Por isso, vamos falar um
pouquinho do que diferencia esses três termos:
Civismo:
consiste no respeito aos valores, às instituições e às práticas especificamente
políticas de um país. É uma questão de cultura política e de filosofia
política. (Wikipédia)
Civilidade:
é o respeito pelas normas de convívio entre os membros de uma sociedade. (Wikipédia)
Na internet a civilidade é conhecida como “netiquette”, e essa civilidade que
nos “obriga” a evitar cuidadosamente todos os conflitos de interesses, tendo um
lado positivo e outro negativo, uma vez que “impõe um consenso fluido que esconde
os problemas até o memento que estes explodem”. (Patrocínio)
Cidadania: (do latim, civitas, "cidade") é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive. (Wikipédia)
Agora
que já falamos dos três conceitos básicos, vamos tentar entender de forma mais
profunda o que é essa tal de cidadania, para além do seu conceito.
Dimenstein afirma que “cidadania é o direito de ter
uma ideia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É
processar um médico que cometeu um erro. É devolver um produto estragado e
receber o dinheiro de volta. É ter direito de ser negro sem ser discriminado,
de praticar uma religião sem ser perseguido... O direito de ter direitos é uma
conquista da humanidade”.
Quem exerce a cidadania é o cidadão, que é entendido como a pessoa no gozo de seus direitos políticos e civis, ou seja, indivíduo que é membro de um Estado e tem perante este a mesma condição que a maioria do povo: dever de obediência às leis e ao governo e direito a proteção. (Dicionário Aulete)
Patrocínio enfatiza que um “novo cidadão está a
emergir”. Para ele, o cidadão da sociedade atual ao lidar com o contemporâneo “tem
que está um pouco para além de si próprio e de seu espaço nacional”. Assim
surge o termo cibercidadão ou cidadão digital que reflete a nova pertença
social baseada numa perspectiva não geográfica.
Todas essas mudanças de conceitos logicamente tiveram um impacto na educação, como enfatiza o autor “para viver em e na cidadania, em termos reais e virtuais, é preciso conhecimento”. Destaca que “existe uma significativa correlação entre educação, desenvolvimento e exercício da cidadania”.
Conforme lia o texto de Patrocínio fui relembrando dos escritos de Dimenstein e foram surgindo milhares de indagações. Lembro que o autor fala muito em seu texto dos direitos e deveres que temos com a “nossa” sociedade: fala dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, da Constituição Federal... enfim, de toda cidadania que temos garantidas perante a lei, mas que na prática ou funciona de forma inadequada, ou simplesmente não funciona. Essa é a cidadania de papel.
Muitos anos se passaram desde a primeira edição do livro O Cidadão de Papel (ok, o tempo passa, o tempo voa, rs) mas muita coisa continua como antes. Claro que houve avanços, mas não podemos dizer com veemência que a cidadania é uma realidade para todos, infelizmente para alguns ela continua a ser apenas utopia, inclusive a cidadania digital.
Todas essas mudanças de conceitos logicamente tiveram um impacto na educação, como enfatiza o autor “para viver em e na cidadania, em termos reais e virtuais, é preciso conhecimento”. Destaca que “existe uma significativa correlação entre educação, desenvolvimento e exercício da cidadania”.
Conforme lia o texto de Patrocínio fui relembrando dos escritos de Dimenstein e foram surgindo milhares de indagações. Lembro que o autor fala muito em seu texto dos direitos e deveres que temos com a “nossa” sociedade: fala dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, da Constituição Federal... enfim, de toda cidadania que temos garantidas perante a lei, mas que na prática ou funciona de forma inadequada, ou simplesmente não funciona. Essa é a cidadania de papel.
Muitos anos se passaram desde a primeira edição do livro O Cidadão de Papel (ok, o tempo passa, o tempo voa, rs) mas muita coisa continua como antes. Claro que houve avanços, mas não podemos dizer com veemência que a cidadania é uma realidade para todos, infelizmente para alguns ela continua a ser apenas utopia, inclusive a cidadania digital.
Como vivenciar uma cidadania digital sem a plena cidadania real? É possível? Não estaríamos criando um novo cidadão de "papel" da era digital? A escola, em sua estrutura atual, especialmente a escola pública, tem condições de lidar com estas "cidadanias"?
Realmente estas são perguntas que necessitam de respostas urgentes. E, mais que apenas respostas precisam também de soluções. "Está aí a importância de saber direito o que é cidadania. É uma palavra usada todos os dias e tem vários sentidos. Mas hoje significa, em essência, o direito de viver decentemente" (Dimenstein)
Realmente estas são perguntas que necessitam de respostas urgentes. E, mais que apenas respostas precisam também de soluções. "Está aí a importância de saber direito o que é cidadania. É uma palavra usada todos os dias e tem vários sentidos. Mas hoje significa, em essência, o direito de viver decentemente" (Dimenstein)








5 comentários:
OI Alexandra. Gosto muito do seu texto e da referência que vc faz a obra o Cidadão de Papel de Gilberto Dimenstein! Li este livro, na adolescência, qdo, na condição de menor aprendiz da oficina de vídeo do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia,lá pelas bandas de 1998 discutia-se muito cidadania entre jovens de ONGS. Lembro muito de uma discussão "limitada" a questão do direito e do dever apenas...quem joga lixo no chão,quem tem direito a escola, saúde e etc...seu texto é massa, mas qdo vc compara o cidadão de papel de dimenstein ao cidadão digital de hj,me parece q vc foca na questão do acesso....
Eu gosto do pensamento de Madec e Murard que Patrocínio traz no texto dele. Estes teóricos ampliam este conceito ao trazer a cidadania como uma condição de natureza, e portanto, a condição do homem em sociedade....
Não sei se fui clara...Vamos conversando pq eu nem produzi meu texto ainda!
Interessante a correlação entre os textos de Patrocínio e Dimenstein... A cidadania digital ainda precisa de ser construída paulatinamente agora e no devir... tomara que PNBL saia do papel e auxilie junto a políticas públicas efetivas os cidadães a tomarem consciência de sua cidadania na polis, mas também consciência de seu papel para além dela, no mundo, no ciberespaço...
Gostei muito do texto, é leve, é fluido, e engajado, como acredito que deva ser o intelectual na atualidade.
Oi Daiane,
Obrigada pelo comentário. Sempre é bom comparar as ideias.
As minha ideia era essa mesmo de acesso, porque na conclusão do texto de Patrocínio, ele elenca a compreensão do que "significa" ser ou tornar-se pessoa ou cidadão digital: "a capacidade de lide com a informação online e o desenvolvimento de uma aprendizagem no contexto da utilização das novas TIC..." Então, não vai ter cidadania digital sem o acesso, só teoricamente, mais uma vez é cidadania de papel!!! Mas estamos avançando, um dia chegamos lá.
Bjinhos e também gosto muito dos seus textos.
Alexandra
Obrigada Poetisa. Vamos ver, o PNBL saindo do papel será um passo, importantíssimo. Vamos torcer.
Alexandra
Alexandra, muito interessante seu texto. Trata de conceituações, mas com uma linguagem bom acessível e agradável de ler. Cássia.
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